
Não há vagas
Ferreira Gullar
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
Dura realidade essa do poema de Ferreira Gullar, talvez eu pudesse
postar um poema de minha autoria falando sobre a miseria e pobreza do nosso
lindo País, porém acho que o poema expressa uma forma suave tudo isso, e eu nunca conseguiria ser suave a falar sobre o assunto.
Sabe, qual a raiz do problema? Nós, isso mesmo, eu, você, ela, ele, NÓS.
Por que somos nos? Ora, simples, quem não questiona a educação aos nossos governantes?
Quem abaixa a cabeça para tudo que nos falam?
Quem não se expressa?
Viu? A culpa é TODA NOSSA.
Se nós fizessemos barulho, nossos politicos iam ter que nos ouvir.
Ao longo dos anos, conseguimos as coisas assim, na marra.
O fim da ditadura, a independecia do Brasil, dos EUA, etc...
Hoje, se estamos insatisfeitos com a educação, saúde, politica...O jeito é fazer barulho pra mudar, se a gente não pedir e obriga-los a mudar, nada vai se resover sozinho.
Ou seja, o mundo depende de nós
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